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Dia do Trabalho foi celebrado em Brasília antes da inauguração da capital

Presidente JK comemorou data em 1959, com operários que construíam cidade. Documentos do Arquivo Público do DF mostram festa onde hoje é a Praça dos Três Poderes.

Antes mesmo de Brasília ostentar a arquitetura monumental e se transformar no centro político do país, a terra vermelha que emprestava o tom à paisagem foi palco de uma grande celebração. Em 1º de maio de 1959, a festa nacional do Dia do Trabalhador foi celebrada na cidade ainda em construção.

No Planalto Central, os operários que trabalhavam de sol a sol deixaram de lado as ferramentas para se juntar ao presidente Juscelino Kubitschek. O local escolhido foi o espaço onde hoje está a Praça dos Três Poderes.

Naquela sexta-feira, simultaneamente, o Rio de Janeiro – antiga capital – e Brasília, celebraram o 1º de maio. Mas a comemoração marcada para ocorrer na cidade que ainda nem estava pronta estampou os noticiários dos jornais da época antes mesmo da festa.

Festa na antiga e na nova capital

Reportagem do jornal Diário Carioca, de abril de 1959, fala da festa do Dia do Trabalho em Brasília (Foto: Arquivo Público DF/Fundo Novacap/Divulgação)

Reportagem do jornal Diário Carioca, de abril de 1959, fala da festa do Dia do Trabalho em Brasília (Foto: Arquivo Público DF/Fundo Novacap/Divulgação)

 

Em 17 de abril de 1959, o Diário Carioca destacou que a concentração de 1º de maio seria a “primeira festa operária de caráter nacional” da região sonhada por Dom Bosco.

“Somente os operários que trabalham nas numerosas obras da nova capital bastariam para assegurar àquelas comemorações uma presença excepcional. Mas além disso haverá um considerável comparecimento de trabalhadores de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás.”

Em 30 de abril, o jornal O Globo apontou que a festa oficial do trabalho seria realizada simultaneamente em duas regiões do país: Brasília e Rio de Janeiro. Na capital onde o concreto começava a se elevar, estariam presentes, além do presidente JK, o à época ministro do Trabalho e 200 líderes sindicais, segundo a publicação.

Recorte do Jornal O Globo em edição de 1959, mostra que a fsta pelo Dia do Trabalhador ocorreu simultaneamente no Rio de Janeiro e em Brasília (Foto: Arquivo Público DF/Fundo Novacap/Divulgação)

Recorte do Jornal O Globo em edição de 1959, mostra que a fsta pelo Dia do Trabalhador ocorreu simultaneamente no Rio de Janeiro e em Brasília (Foto: Arquivo Público DF/Fundo Novacap/Divulgação)

Dois dias após a celebração, o Jornal do Brasil registrou a inédita solenidade. A publicação informou que a festa foi iniciada com o discurso do candango José de Paula Costa, que saudou o presidente da República em nome dos colegas.

Juscelino – que desfilou em um jipe acenando para a multidão – também discursou no palanque erguido em frente ao local onde ainda seria erguido o Congresso Nacional.

Recorte do Jornal do Brasil, de maio de 1959, fala sobre o discurso de JK na festa pelo Dia do Trabalho em Brasília (Foto: Arquivo Público DF/Fundo Novacap/Divulgação)

Recorte do Jornal do Brasil, de maio de 1959, fala sobre o discurso de JK na festa pelo Dia do Trabalho em Brasília (Foto: Arquivo Público DF/Fundo Novacap/Divulgação)

No Arquivo Público do Distrito Federal, é possível consultar as palavras ditas pelo então presidente. Já no início da mensagem, JK explica o motivo de ter escolhido a cidade que tomava forma para ser o centro do Dia do Trabalhador.

“Não poderia o presidente da República encontrar melhor maneira de comemorar a data magna dos trabalhadores do que estando junto de milhares de trabalhadores, que executam, com esforço e tenacidade, a obra nova do Brasil.”

Trecho do discurso do presidente JK durante festa pelo Dia do Trabalhador em Brasília, antes da inauguração da capital (Foto: Arquivo Público DF/Fundo Novacap/Divulgação)

Folga e roupa nova

Para a comemoração, na nova capital, as construtoras dispensaram os funcionários do serviço. Nas memórias dos pioneiros que deram vida à cidade, há histórias de que os candangos, naquele dia, receberam roupas novas.

Desde as primeiras horas da manhã, máquinas e guindastes se enfileiraram pelo Eixo Monumental onde se aglomeravam políticos, sindicalistas e trabalhadores.

Muito trabalho, poucos direitos

Embora tenha virado símbolo das festas de 1º de maio, Brasília guarda farta documentação com relatos da negligência em relação à saúde e segurança dos empregados durante a construção da capital.

Depois de colocada a pedra inaugural, os operários tiveram apenas cinco anos para erguer uma cidade inteira. Assim, o trabalho era intenso, e a fiscalização, nula, revelam os arquivos.

As condições precárias e os acidentes frequentes nas obras fizeram proliferar histórias de que corpos de trabalhadores mortos eram depositados nas colunas de concreto que sustentam três dos símbolos mais icônicos da capital : o Congresso Nacional, a Esplanada dos Ministérios e aTorre de TV.

O pesquisador Hélio Queiroz, autor de um livro sobre a história de Brasília, estimou que a construção dos prédios principais e os anexos da Esplanada dos Ministérios registrou, em média, três acidentes de trabalho por dia.

Dia do Trabalho

A data 1º de maio foi escolhida em 1889 pela Segunda Internacional Socialista – um congresso realizado em Paris que reuniu os principais partidos socialistas e sindicatos da Europa. Ao definir 1º de maio como Dia do Trabalho, os participantes do encontro prestaram uma homenagem aos operários dos Estados Unidos.

Em 1886, os americanos organizaram uma campanha por melhores condições de trabalho. Mais de 1,5 mil greves foram desencadeadas no país. Uma das principais reivindicações era a garantia da jornada de oito horas diárias. Na época, alguns operários trabalhavam até 14 horas por dia.

A cidade norte-americana de Chicago acabou virando um dos principais centros de protestos, mas também foi cenário de uma manifestação que terminou em tragédia. A polícia local reprimiu de forma violenta, em 1º de maio de 1886, um ato que ocorria na região e quatro operários morreram, motivando a criação da data, celebrada mundialmente.

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